Isso não significa que a pessoa com TDAH seja desinteressada ou preguiçosa, nem que todo mundo que se entedia com facilidade tenha o transtorno. O tédio, sozinho, não faz diagnóstico. Significa que ele pode funcionar como um sinal emocional e motivacional que merece ser nomeado e compreendido.
Os autores sugerem três caminhos. Incluir o tédio na psicoeducação, que hoje costuma abordar raiva, tristeza e ansiedade, mas raramente o tédio. Ajustar o ambiente para reduzir o descompasso entre a pessoa e tarefas pouco estimulantes, com estrutura, retorno rápido e ritmo flexível. E usar abordagens como a terapia de aceitação e compromisso, conhecida pela sigla ACT, que ajuda a sustentar atividades importantes mesmo quando elas não são estimulantes. Eles ressalvam que nenhuma dessas estratégias foi testada especificamente para o tédio.
Um estudo pequeno, com 30 crianças e adolescentes, observou que o tédio diminuiu junto com os sintomas durante o tratamento medicamentoso e voltou quando ele foi suspenso. É um dado preliminar, que precisa ser confirmado. Decisões sobre tratamento são sempre individuais.
O tédio também ajuda a entender alguns caminhos de risco. Para fugir dele, algumas pessoas buscam estímulos rápidos e intensos, como jogos, redes sociais ou substâncias, o que pode piorar as dificuldades a longo prazo. Olhar para o tédio com atenção é, portanto, olhar para uma porta de entrada de muitos desfechos que preocupam pacientes e famílias. Talvez o maior mérito desta revisão seja tirar o tédio da categoria de detalhe e colocá-lo no centro da conversa.