Os autores propõem que o estimulante aumenta o "peso" que o cérebro atribui a tarefas rotineiras, como a lição de matemática. A tarefa passa a parecer mais digna de esforço, e diminui a tendência a abandoná-la por algo mais estimulante. O que vemos de fora como "mais atenção" seria, em boa parte, mais alerta e mais persistência.
Essa leitura conversa com algo frequente no consultório: o paciente com TDAH muitas vezes consegue se concentrar no que o interessa. A dificuldade costuma estar em sustentar o que é necessário, mas pouco recompensador.
Isso não significa que o medicamento "não funciona" para a atenção, nem que o TDAH seja falta de força de vontade. Significa que aquilo que chamamos de atenção depende também de alerta, motivação e persistência. O estudo também reforça que o estimulante não é um potencializador cognitivo para quem não tem o transtorno.
Há ainda um alerta sobre o sono. Os próprios autores lembram que o "resgate" observado é de curto prazo e não substitui dormir bem, já que a privação crônica de sono traz prejuízos à saúde. Eles recomendam avaliar o sono antes e depois do início do tratamento. Qualquer decisão sobre medicação é individual e deve ser tomada com o profissional que acompanha o paciente.
O estudo ainda deixa perguntas em aberto. A parte com crianças é observacional, não havia informação sobre dose e tipo de formulação, e a confirmação experimental incluiu poucos adultos, todos sem TDAH. Ainda assim, ele ajuda a mudar a forma de explicar o transtorno: menos como um "cérebro sem foco" e mais como um cérebro em que o valor percebido da tarefa pesa muito na capacidade de seguir adiante.