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    Mulheres com TDAH têm mais TPM grave?
    Saúde Mental em Evidências

    Mulheres com TDAH têm mais TPM grave?

    Pontos-chave
    • •Estudo transversal publicado em 2025 no British Journal of Psychiatry avaliou 715 mulheres de 18 a 34 anos no Reino Unido, com e sem TDAH
    • •Sinais compatíveis com transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), a forma grave da TPM, apareceram em 31% das mulheres com diagnóstico de TDAH, contra cerca de 10% das mulheres sem o transtorno
    • •Entre as mulheres com sintomas de TDAH acima do limiar diagnóstico, a proporção chegou a 41%, um risco cerca de 4 vezes maior
    • •O risco foi ainda mais alto quando o TDAH vinha acompanhado de ansiedade ou depressão
    • •Limite importante: o TDPM foi avaliado por um questionário retrospectivo, e o diagnóstico definitivo exige o registro diário dos sintomas por pelo menos dois ciclos

    Muitas mulheres com TDAH relatam que, na semana antes da menstruação, tudo fica mais difícil: a irritabilidade aumenta, o humor despenca e a concentração, que já era um desafio, parece desaparecer. Por muito tempo, essas queixas foram pouco estudadas, em parte porque o TDAH foi historicamente pesquisado em meninos.

    Um estudo publicado em 2025 no British Journal of Psychiatry investigou essa relação de forma direta. Os pesquisadores quiseram saber se mulheres com TDAH têm mais risco de transtorno disfórico pré-menstrual, conhecido pela sigla TDPM.

    Como o estudo foi feito?

    Participaram 715 mulheres de 18 a 34 anos, recrutadas por uma plataforma online de pesquisa no Reino Unido. Os pesquisadores formaram dois grupos com TDAH: 102 mulheres que relataram diagnóstico feito por um profissional e 229 que preenchiam os critérios de sintomas e prejuízo em uma escala validada. O grupo de comparação reuniu 305 mulheres sem TDAH.

    Todas responderam a um questionário validado de triagem para sintomas pré-menstruais. O TDPM é diferente da TPM comum: envolve sintomas intensos de humor, como irritabilidade, tristeza e ansiedade, que surgem na semana anterior à menstruação, melhoram poucos dias depois do seu início e causam prejuízo real na vida.

    Esse detalhe é importante: o uso de anticoncepcional hormonal foi parecido entre os grupos, e a associação se manteve tanto em quem usava quanto em quem não usava. Isso torna menos provável que o resultado seja explicado pelos hormônios do anticoncepcional.

    O que encontraram?

    Sinais compatíveis com TDPM apareceram em 31% das mulheres com diagnóstico de TDAH e em 41% das que tinham sintomas acima do limiar, contra 9,8% do grupo sem TDAH. Isso corresponde a um risco cerca de 3 a 4 vezes maior.

    O risco foi ainda mais alto quando o TDAH vinha acompanhado de diagnóstico de ansiedade ou depressão: cerca de 4,5 vezes maior que o das mulheres sem TDAH. Mesmo as mulheres com TDAH sem essas condições tiveram risco cerca de 3 vezes maior.

    Um sintoma em destaque

    Entre as mulheres com TDPM, os sintomas mais comuns foram parecidos nos dois grupos: raiva, sensação de sobrecarga, choro fácil e humor deprimido. A diferença esteve na insônia, relatada cerca de duas vezes mais pelas mulheres com TDAH.

    O que isso significa na prática?

    Os autores sugerem que mulheres com TDAH podem ser mais sensíveis às variações hormonais normais do ciclo. Uma hipótese é que a queda do estrogênio antes da menstruação reduza a disponibilidade de dopamina, um neurotransmissor central no TDAH. Essa sensibilidade também apareceria em outros momentos de mudança hormonal, como o pós-parto e a menopausa.

    Isso não significa que toda mulher com TDAH terá TDPM, nem que toda piora pré-menstrual seja TDPM. O estudo não conseguiu separar o TDPM da piora pré-menstrual de outros quadros, como o próprio TDAH, a ansiedade ou a depressão. Significa que o ciclo menstrual merece entrar na avaliação e no acompanhamento de mulheres com TDAH.

    O estudo tem outros limites. As participantes foram recrutadas por uma plataforma online e tinham escolaridade acima da média, e a descrição da pesquisa, que mencionava mudanças de humor ao longo do ciclo, pode ter atraído mulheres que se identificavam com o tema. Ainda assim, o resultado é coerente com estudos anteriores feitos em ambulatórios de TDAH.

    Na prática, registrar os sintomas dia a dia ao longo de dois ciclos ajuda a entender o padrão e diferencia o TDPM de outras condições. Existem tratamentos eficazes para o TDPM, e a escolha depende de cada caso, do contexto e das outras condições presentes.

    Talvez a mensagem mais importante seja de validação. A piora antes da menstruação não é exagero nem fraqueza. É uma experiência frequente, que tem nome, pode ser investigada e merece cuidado.

    Broughton T et al. Increased risk of provisional premenstrual dysphoric disorder (PMDD) among females with attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD): cross-sectional survey study. Br J Psychiatry. 2025;226(6):410-417.

    Dúvidas Frequentes

    Perguntas sobre o Tema

    Sim, especialmente a forma grave, chamada TDPM. Neste estudo, sinais de TDPM apareceram em 31% a 41% das mulheres com TDAH, contra cerca de 10% das mulheres sem o transtorno.

    O TDPM é uma forma grave, com sintomas intensos de humor, como irritabilidade, tristeza e ansiedade, que surgem antes da menstruação e prejudicam a vida. O diagnóstico exige o registro diário dos sintomas por pelo menos dois ciclos.

    Pode piorar. Muitas mulheres relatam mais desatenção e irritabilidade nesse período, e este estudo mostrou risco 3 a 4 vezes maior de TDPM entre mulheres com TDAH. O padrão deve ser avaliado individualmente.

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