Os autores sugerem que mulheres com TDAH podem ser mais sensíveis às variações hormonais normais do ciclo. Uma hipótese é que a queda do estrogênio antes da menstruação reduza a disponibilidade de dopamina, um neurotransmissor central no TDAH. Essa sensibilidade também apareceria em outros momentos de mudança hormonal, como o pós-parto e a menopausa.
Isso não significa que toda mulher com TDAH terá TDPM, nem que toda piora pré-menstrual seja TDPM. O estudo não conseguiu separar o TDPM da piora pré-menstrual de outros quadros, como o próprio TDAH, a ansiedade ou a depressão. Significa que o ciclo menstrual merece entrar na avaliação e no acompanhamento de mulheres com TDAH.
O estudo tem outros limites. As participantes foram recrutadas por uma plataforma online e tinham escolaridade acima da média, e a descrição da pesquisa, que mencionava mudanças de humor ao longo do ciclo, pode ter atraído mulheres que se identificavam com o tema. Ainda assim, o resultado é coerente com estudos anteriores feitos em ambulatórios de TDAH.
Na prática, registrar os sintomas dia a dia ao longo de dois ciclos ajuda a entender o padrão e diferencia o TDPM de outras condições. Existem tratamentos eficazes para o TDPM, e a escolha depende de cada caso, do contexto e das outras condições presentes.
Talvez a mensagem mais importante seja de validação. A piora antes da menstruação não é exagero nem fraqueza. É uma experiência frequente, que tem nome, pode ser investigada e merece cuidado.