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    Mulheres com TDAH recebem o diagnóstico mais tarde e convivem com mais ansiedade
    Saúde Mental em Evidências

    Mulheres com TDAH recebem o diagnóstico mais tarde e convivem com mais ansiedade

    Pontos-chave
    • •Estudo transversal publicado em 2025 na European Psychiatry avaliou 900 adultos com TDAH atendidos em um programa especializado em Barcelona, com entrevistas estruturadas e escalas validadas.
    • •Homens e mulheres relataram o início dos sintomas na mesma idade, mas as mulheres foram diagnosticadas, em média, quase cinco anos depois: aos 29 anos, contra 24 nos homens.
    • •As mulheres apresentaram mais sintomas de TDAH, mais ansiedade e mais sintomas depressivos, além de pior funcionamento no dia a dia e mais incapacidade.
    • •Os homens relataram mais uso de álcool (39% contra 28%) e de cannabis (23% contra 13%).
    • •O estudo foi feito em um serviço especializado e avaliou cada pessoa uma única vez: mostra diferenças, mas não permite concluir o que causa o quê.

    Durante muito tempo, o TDAH foi pensado como um transtorno de meninos agitados. Essa imagem ajudou a reconhecer muitos casos, mas deixou outros na sombra, principalmente os de meninas e mulheres, em quem a desatenção costuma ser mais silenciosa e a hiperatividade, mais interna. Não é raro que essas mulheres cheguem à vida adulta tratando ansiedade ou depressão, sem que ninguém tenha olhado para o TDAH por trás.

    Um estudo publicado em 2025 na European Psychiatry comparou homens e mulheres com TDAH em detalhes, e os resultados ajudam a entender o que esse atraso custa.

    Como o estudo foi feito?

    Participaram 900 adultos com diagnóstico confirmado de TDAH, atendidos no programa de TDAH do adulto do Hospital Vall d'Hebron, em Barcelona. A idade média era de 37 anos, e 45% eram mulheres.

    Cada pessoa passou por cinco consultas com psiquiatras e psicólogos treinados. O diagnóstico foi confirmado com entrevistas estruturadas específicas para TDAH em adultos, e a ansiedade, a depressão, a impulsividade, o sono, o funcionamento e a incapacidade foram medidos com escalas validadas.

    Esse detalhe é importante: o estudo excluiu pessoas em que os sintomas de desatenção pudessem ser explicados por um quadro de ansiedade, de humor ou de personalidade. Ou seja, a ansiedade encontrada não estava sendo confundida com o próprio TDAH.

    O que encontraram?

    O primeiro achado chama atenção pela simplicidade. Homens e mulheres relataram que os sintomas começaram a atrapalhar a vida na mesma idade. Mas as mulheres receberam o diagnóstico, em média, aos 29 anos, enquanto os homens receberam aos 24.

    As mulheres também tinham sintomas de TDAH mais intensos. Pontuaram mais alto nas escalas de ansiedade, tanto na ansiedade do momento quanto na ansiedade como traço mais duradouro, e nas de depressão. Relataram mais dificuldade de funcionamento e mais incapacidade nas diferentes áreas da vida. Entre as mulheres com a apresentação combinada do TDAH, que reúne desatenção e hiperatividade, a incapacidade foi a maior de todo o grupo.

    Os homens, por sua vez, relataram mais uso de álcool (39% contra 28%), tabaco (33% contra 27%) e cannabis (23% contra 13%), e mais problemas legais.

    O que isso significa na prática?

    Os autores levantam algumas explicações para o padrão. A desatenção, mais comum nas mulheres, chama menos atenção na escola do que a agitação. Muitas mulheres desenvolvem estratégias de compensação, como revisar tudo várias vezes, se cobrar excessivamente e conter as emoções, que escondem os sintomas por anos, mas cobram um preço em estresse e exaustão. E as variações hormonais ao longo do ciclo e da vida podem modular a regulação emocional.

    Isso não significa que toda mulher ansiosa tenha TDAH. Ansiedade tem muitas origens, e o diagnóstico de TDAH exige uma avaliação cuidadosa da história desde a infância. Significa que, diante de uma ansiedade que não melhora como esperado, acompanhada de desorganização crônica, esquecimentos e sensação de esforço constante, vale fazer a pergunta. A resposta pode mudar o plano de cuidado, inclusive o da própria ansiedade.

    O estudo também tem limites. Foi feito em um serviço especializado, com pacientes que chegaram até ali, e avaliou cada pessoa em um único momento. Não dá para saber se a ansiedade é consequência do diagnóstico tardio, se contribui para ele ou as duas coisas.

    Ainda assim, cinco anos é muito tempo. São anos de escola, de início de carreira e de relações em que a pessoa tenta entender por que tudo parece custar mais. Reconhecer que o TDAH pode se apresentar de forma diferente nas mulheres não é uma questão de rótulo. É uma forma de encurtar esse caminho e de tratar a ansiedade sem perder de vista o que pode estar por baixo dela.

    Mestres F et al. Sex differences in adults with attention-deficit/hyperactivity disorder: A population-based study. Eur Psychiatry. 2025;68(1):e90.

    Dúvidas Frequentes

    Perguntas sobre o Tema

    Porque a desatenção, mais comum nas mulheres, chama menos atenção do que a agitação, e muitas mulheres compensam os sintomas por anos. Neste estudo com 900 adultos, as mulheres foram diagnosticadas, em média, aos 29 anos, contra 24 nos homens.

    Sim. Neste estudo, as mulheres com TDAH pontuaram mais alto nas escalas de ansiedade e de depressão do que os homens com TDAH, além de relatarem mais prejuízo no dia a dia.

    Pode. É comum que mulheres sejam tratadas para ansiedade ou depressão por anos sem que o TDAH seja investigado. Uma avaliação cuidadosa da história desde a infância ajuda a diferenciar as duas condições.

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