Os autores levantam algumas explicações para o padrão. A desatenção, mais comum nas mulheres, chama menos atenção na escola do que a agitação. Muitas mulheres desenvolvem estratégias de compensação, como revisar tudo várias vezes, se cobrar excessivamente e conter as emoções, que escondem os sintomas por anos, mas cobram um preço em estresse e exaustão. E as variações hormonais ao longo do ciclo e da vida podem modular a regulação emocional.
Isso não significa que toda mulher ansiosa tenha TDAH. Ansiedade tem muitas origens, e o diagnóstico de TDAH exige uma avaliação cuidadosa da história desde a infância. Significa que, diante de uma ansiedade que não melhora como esperado, acompanhada de desorganização crônica, esquecimentos e sensação de esforço constante, vale fazer a pergunta. A resposta pode mudar o plano de cuidado, inclusive o da própria ansiedade.
O estudo também tem limites. Foi feito em um serviço especializado, com pacientes que chegaram até ali, e avaliou cada pessoa em um único momento. Não dá para saber se a ansiedade é consequência do diagnóstico tardio, se contribui para ele ou as duas coisas.
Ainda assim, cinco anos é muito tempo. São anos de escola, de início de carreira e de relações em que a pessoa tenta entender por que tudo parece custar mais. Reconhecer que o TDAH pode se apresentar de forma diferente nas mulheres não é uma questão de rótulo. É uma forma de encurtar esse caminho e de tratar a ansiedade sem perder de vista o que pode estar por baixo dela.