Os resultados reforçam uma ideia que se consolida na prática clínica: TCC e medicação não competem, se complementam. Uma hipótese levantada pelos autores é que a medicação ajuda a estabilizar a base atencional e emocional, criando condições para que a pessoa aproveite melhor as estratégias aprendidas na terapia.
Isso não significa que todo adulto com TDAH precise das duas coisas, nem que a TCC isolada não sirva para ansiedade. As comparações entre subgrupos são exploratórias, e as diferenças entre formatos não alcançaram significância estatística formal. Significa que o plano de cuidado pode ser desenhado conforme o alvo: grupos para treinar organização, terapia individual quando a ansiedade e o sofrimento emocional pesam mais.
Há também limites claros. Os estudos eram bastante diferentes entre si, mediram os desfechos com 28 escalas distintas e acompanharam os participantes por pouco tempo. Houve sinal de viés de publicação, o que pode ter superestimado parte dos efeitos.
E um achado merece reflexão: a TCC não melhorou a autoavaliação dos participantes. Ou seja, mesmo quando os sintomas melhoram, a forma como a pessoa se enxerga pode continuar marcada por anos de dificuldade. Os autores chamam isso de uma necessidade terapêutica ainda não atendida, e talvez seja um dos lugares em que o cuidado ainda tem mais a avançar.