O estudo sugere que a ansiedade no TDAH não se explica apenas pelos sintomas em si. Ela também passa pela forma como a pessoa reage aos próprios tropeços. Quem cresceu ouvindo que era desatento, preguiçoso ou desorganizado tende a transformar cada esquecimento numa prova de inadequação. A autocrítica constante alimenta a preocupação, e a preocupação, por sua vez, consome a atenção que já é escassa.
Isso não significa que a ansiedade seja culpa da pessoa, nem que basta "pensar positivo". Autocompaixão não é autoindulgência, nem desistir de melhorar. É reconhecer a dificuldade com o mesmo cuidado que se ofereceria a alguém querido, e é uma habilidade que pode ser desenvolvida, por exemplo em terapias baseadas em compaixão e em mindfulness.
Os limites precisam ser ditos. O estudo avaliou cada pessoa uma única vez, por questionários online, e não acompanhou ninguém ao longo do tempo. Não dá para afirmar que a baixa autocompaixão vem antes da ansiedade, nem que treiná-la reduzirá os sintomas. Os próprios autores pedem estudos de intervenção para testar isso.
Ainda assim, o achado amplia o olhar sobre o cuidado. Tratar o TDAH envolve atenção, organização e rotina, mas também a relação que a pessoa construiu consigo mesma depois de tantos anos de esforço pouco reconhecido. Às vezes, uma parte importante da ansiedade mora justamente aí.