Os autores levantam uma hipótese conhecida: parte dos jovens com muitos sintomas pode usar a nicotina como uma forma de "automedicação", já que ela melhora temporariamente a atenção. O problema é que o alívio passageiro vem acompanhado de dependência.
Isso não significa que todo adolescente com TDAH vai fumar, nem que o estudo prove que o tratamento previne o tabagismo. Significa que sintomas persistentes, diagnosticados ou não, merecem atenção, e que o cuidado do TDAH tem um alcance que vai além da escola e do trabalho.
Também chama atenção o grupo de jovens com muitos sintomas e sem diagnóstico. São adolescentes que muitas vezes passam despercebidos e que, segundo o estudo, já carregam um risco maior. Reconhecer esses sinais cedo pode abrir caminho para uma avaliação e um cuidado adequado, que pode incluir abordagens medicamentosas e não medicamentosas.
O estudo tem limites que precisam ser considerados. Os sintomas foram medidos por apenas quatro perguntas de um questionário de triagem, que não substitui uma avaliação clínica. Além disso, a pandemia de covid-19 afetou o tratamento do TDAH e o uso de substâncias nos últimos anos do acompanhamento, o que pode ter influenciado parte dos resultados.
Para pais e famílias, a mensagem é de atenção, e não de alarme. Perguntar sobre vape faz parte da conversa sobre saúde mental do adolescente com TDAH, assim como perguntar sobre sono, escola e amizades.