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    TDAH aumenta o risco de vape e cigarro? O que pesa são os sintomas
    Saúde Mental em Evidências

    TDAH aumenta o risco de vape e cigarro? O que pesa são os sintomas

    Pontos-chave
    • •Estudo de coorte publicado em 2025 no JAMA Network Open acompanhou por 9 anos 13.572 adolescentes norte-americanos, que tinham entre 12 e 17 anos no início
    • •Mais da metade dos jovens com muitos sintomas de TDAH começou a usar cigarro eletrônico nesse período, contra cerca de um terço dos jovens sem sintomas
    • •Ter 3 ou 4 sintomas se associou a cerca de 60% mais chance de começar a usar cigarro eletrônico e 50% mais chance de começar a fumar cigarro
    • •Jovens com diagnóstico de TDAH mas sem sintomas ativos não tiveram risco maior que os demais
    • •Limite importante: o estudo é observacional e mediu apenas 4 sintomas, por questionário; ele mostra associação, e não prova que o tratamento previne o tabagismo

    Que o TDAH se associa ao tabagismo não é novidade. Estudos anteriores já mostravam que jovens com o transtorno começam a fumar mais cedo e com mais frequência. Mas o cenário mudou: hoje o cigarro eletrônico, o vape, é a forma de nicotina mais usada por adolescentes.

    Um estudo publicado em 2025 no JAMA Network Open atualiza essa discussão e traz uma pergunta mais refinada. Não basta saber se o jovem tem o diagnóstico. O que parece pesar no risco é o quanto os sintomas ainda estão presentes.

    Como o estudo foi feito?

    Os dados vieram de um grande estudo nacional dos Estados Unidos sobre tabaco e saúde. Foram acompanhados 13.572 jovens, de 12 a 17 anos no início, entre 2013 e 2023, em sete ondas de entrevistas.

    No início, os pais informaram se o filho tinha diagnóstico de TDAH e se usava medicação para o transtorno. Os próprios jovens responderam a quatro perguntas sobre sintomas de desatenção e hiperatividade no último ano. Os pesquisadores então dividiram os participantes em nove grupos, combinando diagnóstico, tratamento medicamentoso e número de sintomas.

    Esse detalhe é importante: a análise considerou apenas quem ainda não usava cada produto no início, e ajustou os resultados para idade, sexo, sintomas de ansiedade e depressão, outros problemas de comportamento e uso indevido de estimulantes. Assim, os números falam de quem começou a usar ao longo dos anos.

    O que encontraram?

    O risco cresceu de forma escalonada com o número de sintomas. Entre os jovens com 3 ou 4 sintomas, de 52% a 59% começaram a usar cigarro eletrônico nos 9 anos seguintes. Entre os que não tinham sintomas, foram cerca de 31% a 36%.

    Nos jovens com diagnóstico de TDAH e 3 ou mais sintomas, a chance de começar a usar cigarro eletrônico foi cerca de 60% maior que a de jovens sem TDAH e sem sintomas. A chance de começar a fumar cigarro foi cerca de 50% maior, e a de usar os dois, cerca de 70% maior. Mesmo jovens sem diagnóstico, mas com muitos sintomas, tiveram risco aumentado.

    O achado mais surpreendente

    Jovens com diagnóstico de TDAH que não tinham sintomas ativos, com ou sem medicação, não tiveram risco maior do que os jovens sem o transtorno. Em outras palavras, o diagnóstico em si não marcou o risco. Os sintomas, sim.

    O que isso significa na prática?

    Os autores levantam uma hipótese conhecida: parte dos jovens com muitos sintomas pode usar a nicotina como uma forma de "automedicação", já que ela melhora temporariamente a atenção. O problema é que o alívio passageiro vem acompanhado de dependência.

    Isso não significa que todo adolescente com TDAH vai fumar, nem que o estudo prove que o tratamento previne o tabagismo. Significa que sintomas persistentes, diagnosticados ou não, merecem atenção, e que o cuidado do TDAH tem um alcance que vai além da escola e do trabalho.

    Também chama atenção o grupo de jovens com muitos sintomas e sem diagnóstico. São adolescentes que muitas vezes passam despercebidos e que, segundo o estudo, já carregam um risco maior. Reconhecer esses sinais cedo pode abrir caminho para uma avaliação e um cuidado adequado, que pode incluir abordagens medicamentosas e não medicamentosas.

    O estudo tem limites que precisam ser considerados. Os sintomas foram medidos por apenas quatro perguntas de um questionário de triagem, que não substitui uma avaliação clínica. Além disso, a pandemia de covid-19 afetou o tratamento do TDAH e o uso de substâncias nos últimos anos do acompanhamento, o que pode ter influenciado parte dos resultados.

    Para pais e famílias, a mensagem é de atenção, e não de alarme. Perguntar sobre vape faz parte da conversa sobre saúde mental do adolescente com TDAH, assim como perguntar sobre sono, escola e amizades.

    McCabe SE et al. Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Symptoms and Later E-Cigarette and Tobacco Use in US Youths. JAMA Netw Open. 2025;8(2):e2458834.

    Dúvidas Frequentes

    Perguntas sobre o Tema

    Sim, quando os sintomas estão presentes. Neste estudo com 13.572 jovens, mais da metade dos que tinham muitos sintomas começou a usar cigarro eletrônico em 9 anos, contra cerca de um terço dos jovens sem sintomas.

    Não, segundo este estudo. Jovens com diagnóstico de TDAH sem sintomas ativos tiveram risco semelhante ao de jovens sem o transtorno. O risco aumentou com o número de sintomas.

    Uma hipótese é que a nicotina melhora temporariamente a atenção e funcione como uma "automedicação". O alívio, porém, é passageiro e traz o risco de dependência, por isso o cuidado com os sintomas é importante.

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