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    Adultos com TDAH têm cerca de cinco vezes mais chance de ter um transtorno de ansiedade
    Saúde Mental em Evidências

    Adultos com TDAH têm cerca de cinco vezes mais chance de ter um transtorno de ansiedade

    Pontos-chave
    • •Revisão com meta-análise publicada em 2023 na Neuroscience and Biobehavioral Reviews reuniu nove grandes estudos populacionais (pesquisas nacionais, bases de planos de saúde e registros de países inteiros), somando cerca de 550 mil adultos com TDAH e 14,5 milhões sem TDAH.
    • •Adultos com TDAH tiveram cerca de 5 vezes mais chance de ter um transtorno de ansiedade do que adultos sem TDAH.
    • •A chance também foi muito maior para depressão (4,5 vezes), transtorno bipolar (8,7 vezes) e uso problemático de substâncias (4,6 vezes).
    • •O risco elevado vale para homens e mulheres; as mulheres com TDAH têm mais ansiedade e depressão, e os homens, mais uso de substâncias, o mesmo padrão visto na população geral.
    • •Os números variaram bastante entre os estudos, e quase todos vieram de países ricos da Europa e dos Estados Unidos.

    Quem atende adultos com TDAH sabe que raramente o TDAH chega sozinho. Ansiedade, depressão e uso de álcool ou outras substâncias aparecem com frequência na mesma história. Mas grande parte do que se sabia sobre isso vinha de estudos pequenos, feitos em clínicas especializadas, que tendem a receber justamente os casos mais complexos.

    Uma revisão publicada em 2023 na Neuroscience and Biobehavioral Reviews, assinada por um grupo internacional de pesquisadores de referência em TDAH, quis responder à pergunta com dados de populações inteiras.

    Como o estudo foi feito?

    Os autores selecionaram apenas estudos com pelo menos 10 mil participantes, representativos da população geral, em que o TDAH e os outros transtornos tivessem sido diagnosticados por profissionais ou por entrevistas estruturadas, e não apenas por questionários. Nove estudos atenderam a esses critérios: duas grandes pesquisas populacionais, três bases de planos de saúde e quatro registros nacionais de saúde, como os dos países nórdicos.

    Esse detalhe é importante: ao comparar adultos com e sem TDAH na mesma população, o estudo evita a distorção das amostras clínicas, em que quase todos já procuraram ajuda por algum motivo. Somados, os estudos incluíram cerca de 550 mil adultos com TDAH e 14,5 milhões sem o transtorno. Os resultados foram combinados por meta-análise, um método estatístico que reúne os dados de vários estudos em uma estimativa única.

    O que encontraram?

    Adultos com TDAH tiveram 5 vezes mais chance de ter um transtorno de ansiedade do que adultos sem TDAH. Dependendo do estudo, esse aumento variou de 2,2 a 9,1 vezes, mas em todos ele esteve presente.

    O padrão se repetiu para outras condições: 4,5 vezes mais chance de depressão maior, 8,7 vezes mais chance de transtorno bipolar e 4,6 vezes mais chance de transtornos por uso de substâncias.

    E a diferença entre homens e mulheres?

    Mulheres com TDAH tiveram mais ansiedade, depressão e transtorno bipolar do que homens com TDAH; os homens tiveram mais transtornos por uso de substâncias. Mas a meta-análise mostrou que essa diferença entre os sexos é a mesma que se vê na população sem TDAH. Ou seja, o TDAH aumenta muito o risco nos dois sexos, sem mudar o padrão já conhecido entre eles.

    O que isso significa na prática?

    O primeiro recado é que a ansiedade no adulto com TDAH não é exceção. Ela faz parte do quadro com tanta frequência que precisa ser investigada de rotina, e o mesmo vale no sentido inverso: em quem procura ajuda por ansiedade, vale perguntar sobre a história de atenção e organização desde a infância.

    Isso não significa que o TDAH cause ansiedade de forma direta, nem que toda pessoa com TDAH vá desenvolver um transtorno de ansiedade. O estudo mede associação, e as explicações possíveis incluem fatores genéticos em comum, o acúmulo de experiências de falha e estresse e também a sobreposição de sintomas. Significa que o risco é alto o suficiente para merecer atenção ativa.

    Os autores apontam limites importantes. Os números variaram muito entre os estudos, por diferenças de métodos e de períodos de observação. Quase todos os dados vieram de países de alta renda, o que pede cautela ao transpor para outras realidades. E os adultos diagnosticados depois dos 30 anos parecem procurar ajuda justamente por causa da ansiedade ou da depressão, o que dificulta entender como as comorbidades evoluem ao longo da vida.

    A proposta final dos pesquisadores é preventiva: acompanhar sinais iniciais de ansiedade, humor e uso de substâncias em pessoas com TDAH, antes que se tornem transtornos completos. Eles também apontam uma pergunta ainda sem resposta definitiva, a de se o tratamento adequado do TDAH pode reduzir esse risco. É uma mudança de olhar: em vez de esperar a comorbidade aparecer, antecipar o cuidado.

    Hartman CA et al. Anxiety, mood, and substance use disorders in adult men and women with and without attention-deficit/hyperactivity disorder: A substantive and methodological overview. Neurosci Biobehav Rev. 2023;151:105209.

    Dúvidas Frequentes

    Perguntas sobre o Tema

    Sim. Nesta meta-análise com cerca de 550 mil adultos com TDAH, a chance de ter um transtorno de ansiedade foi 5 vezes maior do que em adultos sem TDAH.

    Sim, mas na mesma proporção vista na população geral. O TDAH aumenta muito o risco de ansiedade nos dois sexos; as mulheres apresentam mais ansiedade e depressão, e os homens, mais uso de substâncias.

    Sim. Adultos com TDAH tiveram 4,5 vezes mais chance de depressão maior neste estudo. Por isso, humor e ansiedade devem ser acompanhados de rotina em quem tem TDAH.

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