O primeiro recado é que a ansiedade no adulto com TDAH não é exceção. Ela faz parte do quadro com tanta frequência que precisa ser investigada de rotina, e o mesmo vale no sentido inverso: em quem procura ajuda por ansiedade, vale perguntar sobre a história de atenção e organização desde a infância.
Isso não significa que o TDAH cause ansiedade de forma direta, nem que toda pessoa com TDAH vá desenvolver um transtorno de ansiedade. O estudo mede associação, e as explicações possíveis incluem fatores genéticos em comum, o acúmulo de experiências de falha e estresse e também a sobreposição de sintomas. Significa que o risco é alto o suficiente para merecer atenção ativa.
Os autores apontam limites importantes. Os números variaram muito entre os estudos, por diferenças de métodos e de períodos de observação. Quase todos os dados vieram de países de alta renda, o que pede cautela ao transpor para outras realidades. E os adultos diagnosticados depois dos 30 anos parecem procurar ajuda justamente por causa da ansiedade ou da depressão, o que dificulta entender como as comorbidades evoluem ao longo da vida.
A proposta final dos pesquisadores é preventiva: acompanhar sinais iniciais de ansiedade, humor e uso de substâncias em pessoas com TDAH, antes que se tornem transtornos completos. Eles também apontam uma pergunta ainda sem resposta definitiva, a de se o tratamento adequado do TDAH pode reduzir esse risco. É uma mudança de olhar: em vez de esperar a comorbidade aparecer, antecipar o cuidado.