Embora o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) seja classicamente associado a dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade, existe uma faceta frequentemente negligenciada que impacta profundamente a vida dos pacientes: a desregulação emocional. Estima-se que essa dificuldade em processar, identificar e expressar emoções afete até 70% dos adultos com TDAH.
Estudos indicam que a desregulação emocional pode influenciar a qualidade de vida diária de forma ainda mais negativa do que os sintomas cognitivos tradicionais de desatenção ou hiperatividade, permanecendo, apesar de seu impacto significativo, excluída dos critérios oficiais de diagnóstico.
Recentemente, relatos clínicos e científicos passaram a dar luz a uma dimensão crucial dessa desregulação: a sensibilidade à rejeição. Definida como uma disforia extrema, uma mistura de dor, ansiedade e angústia profunda, desencadeada pela percepção, real ou imaginada, de rejeição ou crítica, essa condição tem consequências importantes no bem-estar, embora seja pouco estudada na literatura.
Para preencher essa lacuna, um estudo qualitativo pioneiro publicado em 2026 na revista PLoS One por Annabel Rowney-Smith e colaboradores investigou diretamente a vivência da sensibilidade à rejeição em adultos com TDAH. A pesquisa revelou que essa experiência não é apenas uma resposta emocional comum, mas uma vivência multidimensional que se manifesta em três pilares principais: o retraimento, o mascaramento e as sensações corporais.

