Filhos expostos à depressão materna ao longo do desenvolvimento tiveram 2,4 vezes mais chance de apresentar depressão na vida adulta, e 2,6 vezes mais chance de ansiedade. A depressão paterna elevou o risco em 2,1 vezes para depressão e 2,0 vezes para ansiedade.
Mas o achado mais relevante é o da temporalidade. A depressão materna no terceiro trimestre de gestação foi o único período associado especificamente a sintomas psicóticos nos filhos adultos. Nenhum outro período — nem paterno — apresentou essa associação. A gravidez parece ser um período sensível para esse desfecho específico.
Para depressão e ansiedade dos filhos, a associação com depressão materna foi consistente desde a gestação até os 18 anos. Para depressão paterna, o risco começou a ser significativo a partir dos 5 anos de vida da criança, não antes. Isso sugere mecanismos diferentes: a mãe influencia o filho também biologicamente, por vias intrauterinas, enquanto o pai age principalmente pelo ambiente e pelo relacionamento ao longo da infância.